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Wednesday, September 26, 2007

quando atravessares o Rio

“ ... dias antes, encontrara o actor dos seus livros. O protagonista dos seus livros. E a mulher dos seus livros parecia-se com ela mesma ...
Talvez as personagens dos seus livros estejam a ganhar vida.
O que acontece às personagens quando o escritor vai embora ?
Os livros de um escritor estão contados. E depois ele fica sozinho com os seus demónios. Ela mesma escrevera essas palavras, alguns anos atrás” (pág. 20)

“O seu aspecto habitual era o que tinha nos concertos, quando parecia estar em oração. Um abandono absoluto, deitada na margem Serpentine, sentada numa carruagem de metro, num muro à beira do Tamisa, na relva junto à National Gallery, nos degraus da Igreja de St. Martin-in-the-Fields. Um eterno estado de graça. Um anjo vindo do princípio do mundo, que atravessara os milénios intocados e sem memória. Era talvez por isso que o mundo se tornava num lugar solitário onde quer que ela estivesse.” (pág. 45)

“O que acontece às personagens quando o escritor vai embora? E a outra pergunta, muito mais terrível: o que acontece ao escritor?
Mas ela conhecia a resposta. O escritor ficava sozinho com os seus demónios. Completamente sozinho com os seus demónios.” (pág. 50)

Extractos do último livro de Ana Teresa Pereira “Quando Atravessares o Rio”, extractos daquele que podia muito bem ser o seu primeiro livro .....

e no fim escreve assim "Ela sempre achara muito fácil entrar e sair na eternidade.".

Friday, June 01, 2007

Feira do Livro: Cartas – Isidore Ducasse

Confirma-se que vale mesmo a pena passar pela Feira do Livro ...

"Lautréamont é como um príncipe negro das letras universais, uma espécie de monstro que fascina e persiste horrorizando. Um autor absolutamente incontornável."

«Deixai-me antes de mais explicar-vos a minha situação. Cantei o mal como fizeram Mickiewicz, Byron, Milton, Southey, A. De Musset, Boudelaire, etc. Naturalmente, exagerei um pouco o tom para inovar no sentido desta literatura sublime que não canta o desespero senão para oprimir o leitor, e fazê-lo desejar o bem como remédio. Deste modo, é sempre o bem que cantamos em suma, só que por um método mais filosófico e menos ingénuo que a antiga escola, da qual Victor Hugo e alguns outros são os únicos representantes vivos.»

I. Ducasse,Paris, 23 de Outubro de 1869

Friday, May 25, 2007

Feira do Livro 2007

Ontem começou mais uma feira do livro. Nova oportunidade para comprar bons livros com algum desconto (a parte do desconto pode servir de desculpa).

Deixo apenas duas sugestões:
"Escrítica Pop", Miguel Esteves Cardoso , Assírio & Alvim 2003
"Provas de Contacto", João Lisboa, Assírio & Alvim 1998

Duas maneiras diferentes de sentir, de ouvir e de escrever sobre música.